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  + HISTÓRIA
O povoamento do território que circunscreve a actual freguesia de Vil de Matos que circunscreve a actual freguesia de Vil de Matos e muito anterior a fundação da Nacionalidade, conforme o comprovam os vestígios arqueológicos como “Mourellos” em anos anteriores aos do século XII, por outro.
Apesar de não existirem notícias concretas sobre as características da população durante os primeiros anos da Nação, presume-se quem na época, Vil de Matos fosse ocupada por foros de cavalaria ou de jugaria.
Os documentos sobre a divisão administrativa da época da sua fundação também não abundam no entanto, sabe-se que pertenceu ao concelho de Anca, tal como já se verificava na transição do século XV para o XVI. Assim no cadastro da população de 1527, refere-se qye a vila de Anca e seu termo, incluindo Vil de Matos, era do senhorio de D. Luís de Castro. Em 31 de Dezembro de 1853, data da extinção deste Concelho, Vil de Matos passou para o município de Cantanhede onde permaneceu até 24 de Outubro de 1855, data em que transitou para o de Coimbra onde continua nos nossos dias.
A erecção paroquial também é obscura e parece ser obra da igreja de Barcouço, depois da Idade Média, já que até então não era referida.
“(…) A segunda Igreja Paroquial he Curado, que apresenta o Pior de Narcoço e tem estes lugares anexos, Matos com quarenta visinhos, Santa Anna com vinte & huma Ermida desta Santa, a Costa com trinta, Rios Frios com sessenta & huma Ermilda de São Thomé, & Mourellos com dez”
Em termos económicos, Vil de Matos era uma grande produtora de milho, trigo, centeio, cevada, feijão, vinho de mesa muito bom e arroz. A cerca de orizicultura e dos problemas que esta causava a saúde pública, Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno (1886), discorre algumas considerações polémicas.
“(…) Este ultimo artigo constitue hoje uma das producções mais importantes d’esta parochia mas tem dado origem a febres devastadoras, muitos desgostos muitas desordem e grandes questões que promettem reviver.
A cultura do arroz tem sido uma mina para muitos propriétarios d’este distrito, mas foi uma verdadeira praga para esta e outras muitos parochias…
(…) Data de 1864 ou 1865 a cultura do arroz n’esta parochia.
O dr. Eusébio Rodrigues Marques, de Coimbra, comprou uma grande porção de terreno no sitio de Val Travesso, semeou-o todo de arroz em um d’aquelles annos e, como de 1866, 1867 e 1868, desenvolveu-se porém logo uma medonnha epidemia de febres pestilências n’esta freguesia e na de Barcouço, sua limitrophe, a ponto tal que os habitantes das suas parochilas e da de Ançã resolveram fazer justiça por suas mãos.
Em certo dia aprasado (um Domingo), reuniram-se na ponte de Mourelles alguns centros de pessoas – homens e mulheres, velhos e novos, padres e seculares -, invadiram os arrosaes do dr. Eusébio e d’outro e destruíram-nos completamente todos(…)
Instaurou-se processo contra os delinquentes, mas ninguém ficou culpado, porque as testemunhas inqueridas disseram que aquelles destroços foram causados pelos habitantes das três freguesias em massa, tem distinção de pessoas (…)”
Tal atitude fez esmorecer os proprietários dos arrozais que, ao longo de dez anos, sensivelmente, não praticaram a orizicultura. De facto, entre 1868 e 1876, a saúde pública desta e das freguesias limítrofes melhorou consideravelmente. A partir desse ano, porém a “sacra fames auri” levou alguns proprietários a praticar a cultura do arroz que, por sua vez, provocou o aparecimento das fatais febres que quase o esforço de Sr. Bispo-Conde, D. Manuel Correia de Bastos Pina, e de mais alguns beneméritos que, pela sua influencia, conseguiram travar tal desvario.
Não obstante, em 1883, dois especuladores de Mira arrendaram as terras de Vale Travesso ao Sr. Alberto Ferreira que logo as plantou de arroz. O Pároco de Vil de Mato se restantes paroquianos, revoltados, assinaram uma petição e entregaram-na ao Governador Civil de Coimbra, que prometeu ajudá-los na luta contra a orizicultura, tão nefasta para as populações destas freguesias. Embora tenham recebido o aval do Governador Civil, as populações temiam ter de recorrer novamente a violência, pois sabiam que apesar de nefasta para eles, a orizicultura contribuía para o desenvolvimento económico da região.
Pinho Leal, em obra anterior citada, refere-se a esta situação injusta referindo que são já muitos os decretos e os ofícios publicados acerca desta contenda, incentivando, por isso, a leitura da “lei de 1 de Julho de 1876, os officios que o sr. Bispo-conde dirigiu ao governo com data de 7 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 1881, - e 15 de Fevereiro de 1882 -, a Pastoral do mesmo sr. Com data de 3 de Abril do mesmo anno, - o nº 1 das Instituições Cristãs, 1ª serie, 1883, pag. 14, - e o nº 8 das mesmas Instituições, 1ª serie do 2º anno, 1884, pag. 249”.
Todavia, não deixa de referir que “tudo isto corre impresso e toma evidentíssima a nefasta influencia dos arrozaes sobre a higiene publica nomeadoamente nos concelhos de Coimbra, Motemor-o-Velho, Figueira, Sourem pombal, Condeixa e Leiria, - mas para se formar ideia de qunto podem o sophisma e a sede de lucro, ou a sacra fames auri, devem ler-se também, como reverso da medalha neste assunpto, as celebres cartaz de Amaro Mendes Gaveta, pseudonymo de um dos mas laureados poetas contemporâneos, grande cultivador dos arrozaes no districto de Coimbra. Apesar de haver sido terminantemente prohibida a cultura dos arrozaes em 1867 e 1882, ella teve um incremento de 80 p. c. nos últimos 10 annos, calculando-se em 1800 hectares o chão empregado hoje na dita cultura??...
Isto é official.
Na correspondência de Coimbra para o Comercio do Porto que é sem contestação o jornal menos faccioso e mais serio de todo o nosso paíz, se lia com data de 20 de Setembro ultimo (1884) o seguinte.
«Já principou a colheita do arroz, cuja produção é abundantíssima. A este respeito podem informar que nunca a oryzicultura no distrito de Coimbra tomou tanto desenvovimento como no presente anno. E isto apesar de todas as leis, portarias, decretos e comissões! As doenças originadas nas emanações, deletérias d’estes verdadeiros pântanos também este anno recrudesceram, havendo povoações onde as febres intermitentes teem feito grandes estragos.
E lamentável que a saúde dos povos esteja a mercê do capricho a ambição dos potentados monetários e doa influencias políticas, que são os que aqui, como em toda a parte, querem e defendem os arrozaes»”





Mário Costa Rato
É com muita alegria que vejo através da internet noticias da freguesia onde nasci. Um muito obrigado a todos   Mário Rato


sérgio rafael pratas marques
só vivo cá há dois meses mas agrada-me saber que existem aqui pessoas que se preocupam com a sua terra e o meio ambiente. se houver uma próxima vez,espero participar!!



 
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